"Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas."
(Marcos 1.3)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Alvo

“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus. Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e, se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá. Tão-somente vivamos de acordo com o que já alcançamos.” (Fp 3.13-16)


Paulo escreve essas coisas aos crentes de Filipos. Acredita-se que havia um grupo de cristãos perfeccionistas nessa igreja, que julgavam já haver alcançado a perfeição na caminhada cristã, por isso Paulo os exorta com amor que não tenham esse pensamento, assim como ele mesmo não tinha.

Aqui a ênfase de Paulo não estava tanto em esquecer dos traumas, das coisas ruins que ficaram (embora também seja importante não se prender às desventuras passadas), mas ele estava querendo dizer que por mais obras que tenhamos realizado, por mais tempo que oramos, por mais consagrados que sejamos, por mais almas que ganhamos, nunca podemos pensar que já alcançamos a perfeição, sempre há muito pra caminhar.

Nosso alvo deve ser alcançar a perfeição, tendo consciência que enquanto estivermos nessa terra jamais alcançaremos a plenitude dela. Mas essa consciência não deve nos desmotivar, ou nos servir de justificativa.


“Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente?
De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?” (Rm 6.1,2)


Realmente nenhum de nós pode alcançar a perfeição, o prêmio é na Eternidade, o corpo glorificado. Mas temos que viver buscando isso na terra, pra poder receber no Céu.

É como construir uma casa. Enquanto ela está em construção não podemos desfrutar dela, mas mesmo assim continuamos a investir esforços, tempo, dinheiro visando o dia de entrarmos nela.


Tão-somente vivamos de acordo com o que já alcançamos” (Fp 3.16)


Deus conhece a cada um de nós, conhece nossos pontos fortes e fracos, as áreas que temos facilidade e as que temos dificuldades e nunca vai exigir que andemos além do que já alcançamos. Mas não vai permitir que as dificuldades permaneçam esquecidas num canto obscuro das nossas vidas, não, Ele não vai ignorá-las. Mas vai trabalhar cada uma delas durante o tempo que for preciso, para que prossigamos para o alvo. Prosseguir é uma ação que implica esforço, há nossa parte a fazer, e ela é responder ao trabalho de Deus.


Ele aponta o caminho. Ele oferece o prêmio. Ele trabalha pra que o alcancemos. Ele nunca desiste.


“Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.” (Fp 1.6)

sábado, 4 de julho de 2009

Tome a sua cruz

Quando lemos a parábola dos 10 talentos, vemos que há aqueles que usaram os talentos que receberam e multiplicaram, por isso foram recompensados, mas há um que foi punido porque simplesmente enterrou o que tinha recebido. Talvez por preguiça, mas ele afirma que é porque sabia que o que dera os talentos a ele era homem duro, e de certa forma não quis arriscar perder o que ele tinha lhe confiado.

“Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado.” (Lc 19.26)

Todo cristão tem um chamado, um trabalho específico a desempenhar no Reino de Deus. Todos nós nascemos com dons e habilidades naturais que visam o serviço a Deus, e no decorrer da vida, Ele nos aperfeiçoa com mais dons e habilidades. De qualquer maneira, tudo o que sabemos fazer bem não é por acaso, foi Deus quem confiou esses talentos a nós, só que eles precisam ser lapidados, e isso é um trabalho de parceria entre nós e Deus: nós nos dispomos. Ele lapida.
Então, se é tão simples, porque a minoria segue o chamado enquanto a maioria só ocupa bancos de igrejas?
Talvez o conceito de “se dispor” esteja equivocado.
“Se dispor” a que Cristo se refere não é ficar esperando as coisas acontecerem. É buscar esse aperfeiçoamento a cada dia. É sentir queimar o coração. É não ter medo de perder.

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24)

Jesus faz um convite, é nossa escolha aceitá-lo ou não. O convite de Cristo é maravilhoso, mas suas condições não são nada agradáveis à primeira vista: abrir mão de nós mesmos e carregar uma cruz nas costas. As pessoas crêem na cruz de Cristo, mas não querem carregar sua própria cruz, crêem que Jesus morreu para fazê-las felizes e lhes dar uma vida sem preocupações, mas quem realmente deseja vir após Ele tem que se preparar para ser feliz de um modo diferente:
“Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome.” (At 5.40,41)
Se desejar profundamente vir após Jesus, prepare-se para enfrentar batalhas que jamais pensou enfrentar... mas se alegre, porque você vai sorrir como nunca imaginou sorrir.

Deus nos alerta: se buscarmos aperfeiçoar o chamado em primeiro lugar, Ele nos dará, mas se enterrarmos isso, até o que temos será tirado.
Não podemos permitir que nada nessa vida tome a prioridade que a busca por Deus deve ter, porque o conceito é muito simples: se optarmos por Deus em primeiro lugar, Ele acrescenta as outras coisas, no modo e tempo corretos. Se optarmos por qualquer coisa em primeiro lugar, podemos até alcançar, mas no modo e tempo incorretos e depois será tirado, porque somos de Deus, Ele nos comprou.
Algo ocupa mais a sua mente do que o Senhor ocupa? Vai ser tirado... é a idéia do Sl 37.5: “Deleita-te também no Senhor, e Ele te concederá os desejos do teu coração.” Se deleite de verdade, sem interesses, e os desejos do seu coração passarão a ser os mesmos do Senhor.

O convite de Jesus parece um paradoxo:
“Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa acha-la-á.” (Mt 16.25)
Vamos estar em paz conosco mesmos quando deixarmos Deus sobrepujar nossas vontades. Vivendo pra Deus, Ele acrescenta à medida do tempo dEle o que é necessário.
“Se preocupe em ganhar a Terra, você perderá o Céu e a Terra... se empenhe em ganhar o Céu, você ganhará o Céu e a Terra” (C.S. Lewis).
No primeiro momento a caixa do presente não parece ser tão atraente, e é difícil de abrir, mas quando chegar a hora de abrir veremos que tudo valeu a pena. Trabalhando para nós mesmos vamos conquistar ilusões e lindas caixas de presente... vazias.

Isto não é uma imposição de Jesus, é um convite cheio de amor, porque Ele sabe o que está nos esperando. A escolha é nossa: passar a vida sem carregar o peso de uma cruz nos ombros significa passar a eternidade sem sentir o peso de uma coroa. Ou podemos dizer como Paulo:

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa de justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (II Tm 4.7,8)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Segundo o coração de Deus

"...Deus chamou Davi de 'homem segundo o meu coração' (At 13.22). Ele não deu essa título a nenhum outro. Nem a Abraão ou Moisés ou José. Ele chamou Paulo de apóstolo, João de seu amado, mas nenhum deles foi identificado como um homem segundo o coração de Deus.
Alguém talvez leia a história de Davi e se pergunte o que Deus viu nele. O camarada caía toda vez que se levantava, tropeçava toda vez que vencia. Ele perturbou Golias com o olhar, mas cobiçou Bate-Seba com os olhos; desafiou os escarnecedores de Deus no vale, mas se juntou a eles no deserto. Em um dia era um escoteiro condecorado e, no outro, fazia amizade com mafiosos. Pôde liderar exércitos, mas não pôde administrar uma família. Davi se irritava. Davi lamentava. Tinha sede de sangue. Tinha fome de Deus. Tinha oito esposas. Tinha um Deus.
Um homem segundo o coração de Deus? O fato de Deus vê-lo do modo como ele é enche-nos de esperança. A vida de Davi tem pouca coisa a oferecer ao santo imaculado. Os de alma reta acham a história de Davi decepcionante. Para o restante de nós, ela é reconfortante. Estamos na mesma montanha-russa. Alternamos entre bons mergulhos e barrigadas contra a água, suflês e torradas queimadas.

Nos bons momentos de Davi, ninguém foi melhor. Em seus maus momentos, alguém poderia ser pior? O coração que Deus amava era um coração cheio de altos e baixos.

(...) Gigantes. Temos de encará-los. Contudo, não precisamos enfrentá-los sozinhos. Concentre-se primeiro, e, na maior parte do tempo, em Deus. As vezes em que Davi fez isso, os gigantes caíram. Os dias em que não fez, foi Davi que caiu.

Concentre-se nos gigantes - você tropeçará.
Concentre-se em Deus - seus gigantes cairão.

Erga os olhos, matador de gigantes. O Deus que fez de Davi um milagre está pronto para fazer o mesmo com você."

(Texto de Max Lucado, retirado do livro: Derrubando Golias)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Por causa do amor

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"
João 3:16

Você faria o que Jesus fez?
Ele trocou um castelo impecável por uma estrebaria suja. Trocou a adoração dos anjos pela companhia de assassinos. Poderia segurar o universo na palma de suas mãos, mas renunciou a isso para flutuar no ventre de uma virgem. Trocou a coroa do céu, por uma coroa de espinhos.
Se fosse Deus, você dormiria na palha, mamaria no seio de uma mulher e usaria uma fralda? Eu não, mas foi o que Cristo fez.
Se você soubesse que aqueles a quem amou debochariam na sua cara, você ainda se importaria? Cristo se importou.
Ele se humilhou. Deixou de dar ordens a anjos para dormir na palha. De segurar as estrelas para agarrar o dedo de Maria. A palma da mão que sustentava o universo recebeu o cravo de um soldado.
Por que? Porque é isso que o amor faz. O amor põe o ser amado acima de si mesmo.
O amor aguenta a parada até o fim...e Cristo deixou a eternidade sem fim para se limitar ao tempo, para se tornar um de nós. Ele não precisava. Poderia ter desistido. A qualquer momento ao longo do caminho, ele poderia ter dado o assunto por encerrado.
Quando viu o tamanho do ventre, poderia ter desistido.
Quando viu como sua mão poderia ser pequena, como sua voz poderia ser fraca, como sua barriga poderia ter fome, ele poderia ter desistido. Ao sentir o cheiro fétido na estrebaria pela primeira vez, na primeira brisa de ar frio. Na primeira vez em que arranhou o joelho ou assoou o nariz ou provou biscoitos queimados, ele poderia ter virado as costas e ido embora.
Quando ele viu o chão sujo de sua casa em Nazaré. Quando José lhe deu uma tarefa para fazer. Quando seus colegas de escola cochilavam durante a leitura do Torá, a sua Torá! A qualquer momento, Jesus poderia ter dito: "Pronto! Chega! Estou indo pra casa." Mas ele não o fez.
Ele não o fez, porque Ele é amor.
Entre sua mão e o madeiro ele viu uma lista de nossos erros, concupiscências e mentiras, uma lista de nossos pecados. Ele viu a lista e sabia que o preço daqueles pecados era a morte, e que a fonte daqueles pecados era você e, uma vez que não poderia suportar a eternidade sem você, Ele escolheu os cravos.

(Texto de Max Lucado, retirado dos livros: Um amor que vale a pena e Ele escolheu os cravos)

domingo, 16 de novembro de 2008

O Amor de Deus é todo seu

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus...” (I Jo 3.1a)

Senhor, eu não estou desesperado por seu amor...
Por que? Porque o seu amor não me falta.
Uma pessoa age com desespero quando ela necessita de algo e não tem. Uma pessoa que está com a despensa cheia não sente desespero pra comer, sabe que a comida está lá... mas alguém que não tem o que comer, que sente dor no estômago pedindo por alimento há dias, essa sim se desespera, e é capaz de fazer uma loucura por um pouco de comida. Do mesmo modo, ninguém se desespera pra respirar enquanto tem saúde nos pulmões, mas quando sentir falta de ar, quando o ar parece que não vem, aí sim bate o desespero.


Não é preciso se desesperar para receber o amor de Deus, é só aceitar

Muitas pessoas buscam caminhos e formas para alcançar algo que sabem no seu interior que lhes falta, mas não conseguem identificar o que é, e esse vazio traz desespero. Esse vazio é a ausência do amor de Deus, amor necessário a todas as pessoas.
Para preencher esse vazio, não nos é exigido nenhum sacrifício, só precisamos tomar uma atitude: receber esse amor por meio da salvação em Jesus Cristo. Ao tomar essa decisão passamos automaticamente a sentir as mudanças nas nossas vidas: a alegria, a paz, a esperança e tantas outras... não temos que nos desesperar porque não precisamos pagar nada por esse amor, o próprio Deus pagou por nós...

A prova de amor que Deus nos deu

A maior prova do amor de Deus está registrada em Rm 5.8 “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.
Jesus deixou a glória celeste pra se tornar um ser humano, Ele veio lutar as lutas que nós deveríamos lutar, veio sofrer os flagelos que nós deveríamos sofrer, veio morrer em nosso lugar.
O amor de Deus não pode ser conquistado, ele é dado de graça... o preço já foi pago pelo próprio Deus. Jesus nos dá uma mudança de vida aqui nesse mundo, e garante uma moradia eterna com Deus.
Mas, a prova é que Ele fez tudo isso quando ainda éramos pecadores, Deus que tomou a iniciativa, Ele vem ao nosso encontro! Deus nos amava muito antes de nós amarmos a Ele (I Jo 4.19). Só precisamos aceitar...

Não é preciso se desesperar para receber mais do amor de Deus


Muitas pessoas se desesperam porque acreditam que, após receber a Cristo, precisam buscar mais do amor de Deus.
Assim que tomamos a decisão de aceitá-lo, o Espírito Santo nos faz compreender que algumas buscas são necessárias (santidade, comunhão, conhecimento, sabedoria), mas antes dessas buscas, o amor de Deus já nos é dado sem medida.
Não é preciso se desesperar, o amor de Deus nunca diminui nem aumenta. A Palavra nos diz em Tg 1.17 que em Deus não há mudança nem sombra de variação.
Alguém uma vez disse que não há nada de tão bom que possamos fazer pra Deus nos amar mais, e não há nada de tão ruim que possamos fazer pra que Deus nos ame menos. Não precisamos temer, porque esse amor não tem medida e é imutável... portanto não depende de nós, tudo vem dEle.


Que nunca venhamos a nos desesperar pensando que ainda nos falta uma parte do amor de Deus, que nossa visão sempre esteja na cruz. Lá aconteceu o ato de amor mais importante da história, Jesus Cristo assumiu nossos pecados e deu a própria vida por amor.
O amor de Deus é todo seu.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)